Kátia Vargas admite imprudência por manobra, mas nega intenção: ‘Não quis matar’


Após o depoimento de Kátia Vargas, a defesa iniciou suas perguntas, abrindo com temas como o início de sua carreira e quando decidiu fazer medicina, há quanto tempo ela está casada e se tem filhos. Foi citado também o fato de fazer trabalhos sociais, atuando na organização não governamental Corrente do Bem há 10 anos. Questionada sobre o início do dia do acidente, no dia 11 de outubro de 2013. Ela relata ter acordado às 6h45, tomado café da manhã, e ter ido para a aula de dança que começava às 7h. Por volta das 8h, a professora a chamou para que ele desse uma receita para a filha dela. “Fiz essa receita, tomamos um suco e saí da escola umas 8h20”. Kátia voltou a relatar o acidente e admitiu que foi imprudente ao fazer a ultrapassagem, mas negou a intenção de atingir os irmãos. “Não quis matar, de jeito nenhum”.  Questionada por um jurado se a ultrapassagem poderia ter resultado no desequilíbrio da moto, ela afirmou: “Pode ter sido”. A ré contou ter seguido rumo à Avenida Oceânica, tendo ficado na pista da esquerda e reduzindo a velocidade porque o sinal estava fechado. Como já relatou no início do depoimento, ela voltou a afirmar que decidiu seguir em frente mesmo com o sinal fechado, momento em que a moto ultrapassou pela direita. “Eu estava imprimindo velocidade para sair”. Ela destacou que não tinha visto a moto antes. Ela acrescentou também que fez sinal de luz após a moto ficar em sua frente. “Acelerei pra ultrapassar a moto e ultrapassei e retornei à pista. Quando retornei, já não lembro mais a ordem exata de como as coisas aconteceram. Lembro que perdi o controle, lembro que freei, lembro que o carro rodou, lembro do carro batendo na grade. Não consigo lembrar exatamente o que veio primeiro ou o que veio depois”. Após o acidente, ela disse que não sabia que duas pessoas morreram até entrar na ambulância. Ela foi socorrida para o Hospital Aliança, onde ficou internada por um período que não soube determinar. Questionada sobre a perícia, ela disse se recordar de alguém que levantou a roupa para fazer fotos, mas nega saber o que disse ao perito. A defesa citou os medicamentos que estavam no prontuário e que estavam sendo administrados: entre eles Pramal, Rivotril, Tylex e Paxil, para tratamento de Síndrome do Pânico. Na sequência, a defesa questionou as condições da ré para prestar depoimento. ”A senhora foi atendida com histórico de contusão cerebral, apresentava amnésia lapidal, perda de memória de evento específico. A senhora consegue se recordar do que aconteceu naquele momento?”, questionou o advogado, recebendo resposta negativa. Kátia ressaltou que estava presa quando prestou depoimento ao juiz e que não poderia dizer que estava em pleno gozo das suas faculdades mentais. A acusada relatou que não mais dirigiu após o acidente, e que até aquele momento não tomava medicamentos como calmantes. “Vivo por causa dos meus filhos”. Ela declarou também não ter procurado a família das vítimas, devido à proporção que o caso ganhou. “A forma como eu fui colocada se tornou impossível o acesso. Fui colocada como monstra que jogou carro em cima de uma moto sem motivo algum”, afirmou.

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