Enigma da PF procura 30 do tráfico


A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 17, a Operação Enigma, contra uma suposta organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de entorpecentes oriundos do Paraguai e com destino a Curitiba e região metropolitana. Segundo as investigações, o grupo movimenta 200 quilos de cocaína por mês. Segundo a PF, o grupo adquiria entorpecentes no Paraguai e os transportava clandestinamente para o país com o objetivo de abastecer, principalmente, a capital paranaense e região metropolitana. Durante as investigações foram feitas várias prisões em flagrante e apreensão de entorpecente negociado pela quadrilha ora investigada. A PF dá conta de que, para driblar as investigações, os supostos integrantes da organização estabeleceram um esquema lavagem de dinheiro que envolvia a ocultação e fracionamento das operações financeiras, a utilização de “laranjas” para realização de negócios envolvendo bens adquiridos pelo grupo, a compra de veículos de luxo, imóveis rurais e outros de alto padrão no litoral de Santa Catarina. Um dos responsáveis por organizar todo o grupo já havia sido alvo de investigação por tráfico de drogas em outra ação da Polícia Federal e atua por muitos anos como traficante de drogas, de acordo com a corporação. Os investigadores acreditam que o grupo criminoso é responsável pelo tráfico de cerca de 200 quilos de cocaína e “crack” mensalmente para distribuição em Curitiba e região metropolitana. Cerca de 200 agentes da PF estão cumprindo 67 mandados judiciais nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, sendo 37 mandados de busca e apreensão, 20 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de prisão temporária, todos expedidos pela Justiça Federal em Curitiba. Aos investigados estão sendo imputados, dentre outros, os crimes de tráfico internacional de entorpecentes, associação para o tráfico, associação criminosa e lavagem de ativos. A Operação foi batizada de enigma porque, em seu início, eram desconhecidos dos investigadores a estrutura de atuação e forma de comunicação dos alvos.

Temer embarca para São Paulo acompanhado de ministro Imbassahy


O presidente Michel Temer estava por volta das 11h25 desta sexta-feira, 17, na base aérea de Brasília, de onde embarca para São Paulo. Não há informações da agenda do presidente na capital paulista e nem previsão de retorno. Temer está acompanhado no ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy. O tucano tem tido o cargo cobiçado na reforma ministerial que o presidente vai fazer, mas seu futuro no governo ainda é incerto.Interlocutores do presidente têm salientado que o momento é de cautela e que “a equação não é simples de ser montada”. Auxiliares afirmam que a situação real do PSDB, que tende a desembarcar do governo, só será decidida após a reunião do partido, marcada para o dia nove de dezembro. Temer gosta muito de Imbassahy e gostaria de mantê-lo ao seu lado, mas a pressão pela sua saída é enorme. O PMDB quer ter de volta o comando da articulação política para tocar a aprovação da reforma da previdência, as medidas de ajuste fiscal que estão no Congresso e até os projetos referentes à privatização da Eletrobrás que ainda serão enviados para votação. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem o presidente se reuniu no início da noite desta quinta-feira, 16, também será ouvido neste processo de escolha já que o governo precisará do apoio dele para aprovação das propostas.

Prato do dia de Picciani na cadeia de Benfica tem arroz, macarrão e farinha


Preso nesta quinta-feira, 16, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB-RJ), alvo da Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, por suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa, poderá escolher entre arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne branca ou vermelha, legumes e salada, em seu primeiro almoço no cárcere – com direito a sobremesa e lanches. O peemedebista divide o cardápio com seus colegas de partido e de Casa Paulo Melo e Edson Albertassi, além de ter também a companhia do ex-governador Sérgio Cabral. Todos estão na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, Rio. As informações sobre o desjejum e as refeições do peemedebistas foram obtidas pelo Estado junto à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Segundo a Pasta, o café da manhã tem pão com manteiga e café com leite e, no lanche da tarde, os peemedebistas têm à sua disposição pão com manteiga ou bolo, acompanhados de guaraná, em seu intervalo atrás das grades. Presos em desdobramento da Operação Lava Jato, eles são investigados por crimes conexos com as demais fases das investigações no Rio: Saqueador, Calicute, Eficiência, Quinto do Ouro e Ponto Final.

STJ confirma condenação de Bolsonaro por ofensas a Maria do Rosário


A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão em primeira instância que condenou o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais à deputada Maria do Rosário (PT-RS). Em 2014, ele disse que Maria do Rosário não mereceria ser estuprada por ser “muito feia”, não fazendo seu “tipo”. Segundo informações da Agência Brasil, a decisão foi tomada no dia 24 de outubro, por unanimidade, mas só foi publicada na semana passada. O caso foi julgado pelo colegiado pela primeira vez em agosto, mas a defesa de Bolsonaro entrou com um novo recurso para esclarecer supostas omissões e contradições na decisão. A defesa de Bolsonaro argumenta que o deputado tem imunidade constitucional, não podendo ser alvo de ações desse tipo ou de condenações por palavras que tenha proferido enquanto parlamentar. A Justiça entendeu, no entanto, que as declarações dele foram feitas fora do contexto da atividade parlamentar. Bolsonaro é réu em duas penais no Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência do mesmo episódio, ambas relatadas pelo ministro Luiz Fux.

Delator diz que ministro do Esporte dirigiu licitação


O marqueteiro Renato Pereira afirmou, em delação premiada à Procuradoria-Geral da República, que em 2016 o ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), direcionou uma licitação de R$ 55 milhões referente a serviços de publicidade da pasta para sua empresa, Prole Propaganda. Segundo o delator, o acordo foi fechado no gabinete do ministro, em Brasília. A Prole chegou a ser classificada entre as vencedoras da licitação, mas desistiu da conta dois dias depois da prisão do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Em nota, o ministro disse que a afirmação de Pereira é “mais uma mentira inventada por quem quer se safar dos próprios crimes que cometeu”. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo. Em sua delação, o marqueteiro relatou irregularidades nas campanhas de políticos da cúpula do partido no Rio, como o governador Luiz Fernando Pezão, Cabral e o ex-prefeito Eduardo Paes, além da senadora Marta Suplicy, em São Paulo. Todos os políticos negam as acusações de Pereira. Em um dos anexos do seu acordo de colaboração premiada, Pereira também disse ter assinado um contrato falso com o Opportunity com o objetivo de fornecer dinheiro em espécie para o banco de Daniel Dantas. Em nota, o banco afirmou que as acusações do delator são falsas. “O Opportunity não contratou a Prole e nunca teve contato com Renato Pereira”, afirmou. “A afirmativa do marqueteiro de que teria simulado um contrato de prestação de serviços com o Banco Opportunity é falsa. A mentira de Renato Pereira visa a desacreditar os laudos que foram apresentados em demandas internacionais e serve sob medida para os concorrentes do Opportunity”.

Notas fiscais de livros, cursos e consultorias mascararam repasses a Pucinelli, diz investigação


A Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul vê indícios de que empresas indicadas pelo ex-governador André Pucinelli emitiam notas frias contra a concessionária Águas Guariroba, responsável pelo saneamento da capital Campo Grande. Puccinelli é alvo da Operação Papiros de Lama, quinta fase da Operação Lama Asfáltica, que investiga supostos desvios de R$ 235 milhões em obras com recursos públicos da União e esquema de propinas de R$ 20 milhões. O peemedebista foi solto nesta quarta-feira, 15, menos de 24 horas após ser preso, por decisão do desembargador Paulo Fontes, do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região. Em representação pelo encarceramento já revogado do ex-governador, o Ministério Público Federal ressalta elementos de que repasses da empresa concessionária de saneamento da capital do Mato Grosso do Sul ‘destinavam-se a pessoas jurídicas indicadas por André Pucinelli, sem prestação de serviços (notas frias)’. O procurador Davi Marcucci Pracucho destaca itens apreendidos na 4ª Fase da Lama Asfáltica, na sede da Águas Guariroba. Entre eles, notas fiscais de compra milhares de livros de direito de Pucinelli Filho, que também chegou a ser preso nesta semana. “Ora, mas a grande dúvida nessa questão diz respeito a saber qual a necessidade de tamanha quantidade de livros de direito em uma concessionária de serviços de água e esgoto? Considerando que a Águas Guariroba não utiliza livros de direito como insumos de suas atividades ordinárias, buscou-se imaginar a real utilidade para os 9.322 livros adquiridos”, questionou o procurador. A compra de livros jurídicos de Pucinelli foi calculada pela Controladoria-Geral da União e totalizou gastos de R$ 996,8 mil somente nas notas fiscais apreendidas. Já em um computador confiscado pela PF na diretoria da concessionária, conta uma proposta comercial do Instituto Ícone, pertencente a Pucinelli, para oferecer “soluções jurídicas por meio de assessoria nos procedimentos administrativos e judiciais relacionados à fraude/furtos e irregularidades de águas identificadas pela Contratante, com disponibilização de vídeo-aulas, ministradas por profissionais especializados nas legislações que permeiam o objeto dessa proposta, e elaboração de laudos”. O valor do contrato ficou em R$ 300 mil. “Percebe-se, de pronto, que embora o objeto do serviço oferecido pelo Instituto Ícone tenha sido alterado radicalmente, passando de cursos on-line para assessoria nos procedimentos administrativos e judiciais, o valor proposto não sofreu alterações. Além disso, a redação do serviço oferecido na segunda proposta ficou no mínimo incoerente, na medida em que se propôs assessoria nos procedimentos administrativos e judiciais juntamente com a disponibilização de vídeo-aulas e a elaboração de laudos, objetos que aparentemente não se comunicam”, anotou o procurador.