A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desmantelou uma sofisticada rede criminosa que operava um esquema de fraude milionária, utilizando pessoas vulneráveis como “laranjas” para obter crédito e desviar bens. A operação, batizada de Vitruvio, revelou um padrão de atuação que durava mais de cinco anos, resultando no bloqueio de mais de R$ 11 milhões e na apreensão de veículos e armas.
As investigações, conduzidas pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), apontam que a quadrilha recrutava indivíduos de baixa renda, fornecendo-lhes documentos falsificados, como comprovantes de renda e residência. Com esses artifícios, as vítimas eram induzidas a abrir contas bancárias e a contratar consórcios, tornando-se peças-chave na engrenagem fraudulenta.
O intrincado modus operandi
O golpe funcionava em um ciclo de autoalimentação. Os valores obtidos através de empréstimos nas contas dos “laranjas” eram usados para ofertar lances em consórcios, também em nome de outros “laranjas”. Essa estratégia permitia a aquisição de cartas de crédito, que eram rapidamente convertidas na compra de veículos. Após a aquisição, os carros eram revendidos com deságio e as parcelas dos financiamentos eram interrompidas, deixando as dívidas sob a responsabilidade dos contratantes formais, enquanto os criminosos lucravam e permaneciam nas sombras.
A PCDF identificou que a estrutura da quadrilha tinha um forte núcleo familiar, com duas irmãs apontadas como as principais líderes do esquema. Elas contavam com a participação de seus atuais e ex-companheiros, o que denota um alto grau de confiança interna e uma divisão de tarefas bem coordenada. Além dos familiares, o grupo incluía homens com idades entre 20 e 60 anos, distribuídos em diferentes níveis de atuação.
Prisões e sequestro de bens
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades do Distrito Federal e Entorno, incluindo Ceilândia, Taguatinga, Guará, Vicente Pires e Águas Lindas de Goiás. Mandados de prisão também foram expedidos contra cinco indivíduos, identificados pelas iniciais K.C.B. (37 anos), R.F.S. (33 anos), L.A.R.N. (29 anos), L.S.F. (39 anos) e L.M. (31 anos).
Além do bloqueio financeiro de mais de R$ 11 milhões em dezenas de contas bancárias, a operação resultou na apreensão de veículos e armas de fogo. Os carros apreendidos ficarão à disposição da Justiça e poderão ser alienados para ressarcir parcialmente os prejuízos causados às vítimas. Os investigados responderão por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, crimes cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão, dependendo da participação individual de cada um.


